Vivemos em uma época de crescente digitalização da vida e transformação profunda dos hábitos de consumo da informação. As redes sociais alteraram significativamente a maneira como as pessoas se relacionam consigo, com os outros e com a fé. Nessa realidade, os vícios no mundo digital ganham destaque como um fenômeno preocupante na família, escola e sociedade.
O BRASIL, segundo dados internacionais do Globo Overview, em 2024, foi o segundo país do mundo onde a população passou mais tempo na internet. A presença digital do povo brasileiro é marcada por desigualdades de acesso e por intensa criatividade popular. Essa realidade exige uma atenção especial dos comunicadores e evangelizadores porque o ambiente digital não é neutro. Ele pode formar e deformar. Aproximar e dividir. Levar, até mesmo, a uma alienação social.
OS
APLICATIVOS procuram construir experiências viciantes, levando ao consumo
excessivo e descontrolado da informação. Como consequência, constatamos, hoje,
uma nova classe de dependentes que não requerem ingestão de substâncias, mas
produzem os mesmos efeitos no cérebro, ativando o sistema de recompensa por
meio de estímulos visuais, sociais e afetivos.
NO
CENTRO dessa dinâmica está o desejo humano de ser reconhecido, amado e
aceito. As redes sociais tornaram-se um espaço privilegiado para a construção
da identidade social e da autonomia. Um tempo marcado pela autoestima e
autossuficiência que funciona como um termômetro da aceitação social. As
consequências são perceptíveis especialmente nas crianças e nos jovens.
ALÉM
DOS EFEITOS emocionais, os vícios no mundo digital produzem alterações
cognitivas importantes que comprometem funções como atenção, memória,
planejamento e empatia. O uso frequente das redes sociais afeta diretamente a
capacidade de concentração e reflexão, dificultando o desenvolvimento de
processos de aprendizagem porque se privilegia a velocidade e a imagem, em
detrimento da escuta, do silêncio e do discernimento.
PODEMOS, por
isso, nos perguntar: como deve ser o comunicador e sua postura diante dessa
nova cultura? A comunicação, no passado, tinha no receptor alguém que recebia,
decodificava e interpretava a mensagem do emissor. Era considerada uma
comunicação passiva. Atualmente, o receptor é um sujeito participativo. Ele
interpreta, reage e transforma a mensagem. O ambiente digital não é apenas um
espaço de emissão de mensagens, mas de interação entre pessoas. Portanto, os
meios digitais devem ser usados com sabedoria e discernimento.
Dom
Itamar Vian
Arcebispo
Emérito

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