terça-feira, 7 de abril de 2026

Pesquisa do IF Baiano desenvolve biofilmes para alimentos a partir de resíduos agroindustriais

 


Estudo conduzido no IF Baiano, em Senhor do Bonfim (BA), trabalha no desenvolvimento de revestimentos sustentáveis para conservação de alimentos, reaproveitando resíduos agroindustriais como folhas de umbu-cajá e bagaço de uva.

Em busca de uma alternativa ao uso do plástico e atendendo a um chamado crescente por soluções sustentáveis no setor alimentício, uma pesquisa conduzida no Instituto Federal Baiano, Campus Senhor do Bonfim, trabalha no desenvolvimento de biofilmes, películas biodegradáveis produzidas a partir de polímeros de origem natural, utilizando resíduos agroindustriais.


O projeto traz como diferencial o desenvolvimento de um revestimento sustentável e comestível a partir de matérias-primas como folhas de umbu-cajá, bagaço de uva e resíduos de aroeira, abundantes no território do Piemonte Norte do Itapicuru, mas muitas vezes subaproveitados na região.


Desse modo, a iniciativa, liderada pela docente e pesquisadora Calila Teixeira, com a participação das estudantes do curso técnico em Agroindústria, Maria Vitória Cavalcante e Manuela Carvalho, busca conectar uma crescente demanda da indústria de alimentos por materiais funcionalmente eficientes e ambientalmente responsáveis com a realidade local.


Outra inovação que o projeto apresenta é a aplicação do polvilho azedo como a matriz polimérica (a base do biofilme), um produto também amplamente disponível na região, especialmente em casas de farinha.

Primeiros resultados e próximos passos


Com as primeiras amostras produzidas, a pesquisa avança para a fase de caracterização dos biofilmes, etapa em que serão avaliados aspectos como atividade antioxidante, propriedades mecânicas (como resistência e elasticidade), e biodegradabilidade. “Além disso, também observamos aspectos visuais e estruturais, como uniformidade, flexibilidade, integridade do filme. Essa etapa é essencial para entender se o material tem potencial real de aplicação”, esclarece Teixeira.


A ideia é que os biofilmes possam ser utilizados no revestimento de frutas e hortaliças, de produtos minimamente processados ou de alimentos que necessitam de proteção contra umidade ou oxidação, ou como embalagens ativas, contribuindo para aumentar a vida útil dos alimentos.


Os próximos passos da pesquisa incluem a otimização das formulações e a realização de testes em escala piloto, com possibilidade de registro de propriedade intelectual, especialmente o material obtido com características inovadoras.


A principal expectativa é que a inovação chegue à sociedade no futuro, a partir de parcerias com agroindústrias locais, transferência de tecnologia e desenvolvimento de produtos com valor agregado. “Nosso objetivo é que a pesquisa não fique apenas no laboratório, mas gere impacto real na região, promovendo sustentabilidade e inovação”, ressalta Teixeira.

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