quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Primeiro eitor da Uefs, médico Geraldo Leite é indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2027

O médico e professor Geraldo Leite, figura histórica da educação e da saúde pública na Bahia, foi oficialmente indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2027. A iniciativa partiu do jornalista e presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Joaci Góes. O pleito ganhou força política e institucional na última quarta-feira (26), quando a Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou, por unanimidade, uma Moção de Apoio à candidatura, proposta pelo vereador Jorge Oliveira.
Um Século Dedicado à Ciência e à Saúde
Aos 100 anos de idade, Geraldo Leite é reconhecido como um dos principais pilares da interiorização do ensino superior na Bahia. Natural de Aracaju (SE), onde nasceu em 23 de abril de 1926, ele transferiu-se jovem para Salvador para cursar a Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), graduando-se em 1950. A partir dali, dedicou mais de sete décadas de sua vida profissional ao desenvolvimento científico, assistencial e acadêmico do estado vizinho.
O Pioneirismo na Educação Superior

Sua maior contribuição institucional consolidou-se na década de 1970, quando assumiu o desafio de ser o primeiro reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Sob sua liderança pioneira, a instituição assentou as bases para se tornar uma das principais universidades públicas do Nordeste brasileiro, transformando o perfil socioeconômico e cultural de toda a região do Portal do Sertão.
Além do trabalho na Uefs, o médico acumula um extenso currículo na gestão da saúde e do associativismo. Presidiu a Associação Bahiana de Medicina (ABM) e assumiu a direção da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública por dois mandatos consecutivos, em 1993 e 1997. Seu interesse pela preservação da memória científica o levou a fundar o Instituto Bahiano de História da Medicina, sendo hoje também Membro Emérito da Academia de Medicina da Bahia (AMB).
Legado Literário e Reconhecimento
Mesmo após o afastamento das salas de aula e dos consultórios, Leite manteve-se intelectualmente ativo. Aos 96 anos, em 2022, estreou na literatura biográfica ao lançar o primeiro volume de uma trilogia dedicada ao médico José Silveira (1904-2001), patrono do combate à tuberculose no Brasil e fundador do Instituto Brasileiro para Investigação da Tuberculose (IBIT). O resgate histórico e o compromisso humanitário impressos em sua obra literária renderam-lhe o título de Membro Honorário da Academia Feirense de Letras.
Durante a sessão na Câmara Municipal, o vereador Jorge Oliveira justificou a homenagem classificando o médico como "um homem além do seu tempo", cuja trajetória e realizações práticas em prol da educação e da dignidade humana justificam amplamente a indicação ao Nobel. Com cidadania feirense e o respaldo das principais entidades de classe do estado, a postulação de Geraldo Leite passa a carregar o simbolismo de um século de dedicação à ciência e à paz social.



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