quinta-feira, 21 de maio de 2026

Há 63 anos, uma conquista memorável: Fluminense campeão baiano


O tempo não para e nós passamos. Logo, a cada dia, novos fatos, novos eventos; alguns são esquecidos pela falta de importância, ou porque merecem mesmo ser esquecidos. Mas há aqueles que ficam na memória coletiva e são guardados para sempre como um rico troféu que pertence a cada um. Há 63 anos, Feira de Santana viveu uma emoção que continua sendo preservada pela sua real importância, marcada pelo ineditismo e pela superação.

Há fatos que podem marcar para sempre uma pessoa ou uma comunidade, com intensidade proporcional à sua relevância. E isso em qualquer segmento da sociedade. Em Feira de Santana, há exatos 63 anos, um desses episódios ocorria de maneira, pode-se dizer, surpreendente, mas extremamente positiva e gratificante para o interior do estado, pelo seu ineditismo e pelas mudanças provocadas no cenário reinante e aparentemente imutável: o título de Campeão Baiano de Futebol Profissional pelo Fluminense de Feira Futebol Clube (FFFC).

Hoje, depois de mais de meio século, talvez alguém relativize o fato olhando os dias atuais de “correria”, mudanças e desapego às coisas antes profundamente estimadas. Mas, na década de 1960, para um clube do interior, que há nove anos ingressara no futebol profissional sofrendo preconceito da torcida e da imprensa da capital, para a qual o tricolor era “os tabaréus”, “os vaqueiros”, foi extremamente marcante, até porque, para chegar ao inédito título, o representante da Terra de Senhora Santana teve que enfrentar o “imbatível” Esporte Clube Bahia, na Fonte Nova, três vezes consecutivas e colocar a faixa de campeão.

Na época, o certame estadual era disputado em turnos, que podiam ser dois ou três. Em 1963, foram dois turnos, com o tricolor enfrentando: Botafogo, Galícia, Vitória, Ypiranga, Guarany, Leônico, Bahia e São Cristóvão. Invicto no primeiro turno, o Flu só não venceu o Bahia e o São Cristóvão — curiosamente o mais forte e o mais fraco — empatando em 0 x 0 com ambos. No segundo turno, apesar de sofrer duas derrotas, para o Galícia e o Ypiranga, o tricolor chegou em igualdade de condições com o Bahia para decidir o título em dois jogos na Fonte Nova, ou “melhor de três”, se a decisão não acontecesse em dois jogos. A terceira e última partida era chamada de “negra”.

Nos dois primeiros jogos, a torcida do Bahia, podendo-se incluir a maioria dos árbitros e da crônica esportiva da capital, sofreu duramente com os empates: 0 x 0 e 1 x 1. Mas o sofrimento maior e definitivo veio no terceiro e último jogo: Fluminense 2 x 1 Bahia. O maltratado e discriminado Fluminense deixava de ser “o tabaréu” para ser o campeão baiano, tirando, pela primeira vez, o título que até então só ficara com clubes de Salvador. Outro detalhe significativo é que, ao contrário do EC Bahia, que tinha um elenco caro com jogadores famosos, o feirense usou como base o time de aspirantes, bicampeão baiano da categoria, com apenas três reforços: o veterano meia Ary, ex-jogador do Botafogo do Rio e Bahia, e os aspirantes do Botafogo carioca Dagoberto e Iroldo.

O técnico Antônio Conceição, que até então só havia dirigido equipes da capital, como Ypiranga e Botafogo, utilizou no time campeão estadual seis jogadores aspirantes, oriundos de clubes amadores locais — Mundinho (Ypiranga), Chinesinho (Mecânico), Val (Mecânico), Misael (Pé de Serra), Renato (Bahia FS), Carlinhos (FTC futebol de salão) —, três do futebol carioca (Ary, Dagoberto e Iroldo) e Ninoso, cearense que já fazia parte do elenco. No jogo final, na vitória de 2 x 1, Biriba marcou para o Bahia, Iroldo empatou e Renato Azevedo assinalou o gol do título para o Fluminense.

O Fluminense campeão baiano de 1963: Mundinho, Mizael, Chinesinho, Ninoso (capitão do time), Val e Carlinhos Malaquias; Dagoberto, Almeida, Renato Azevedo, Ary e Iroldo. O técnico foi o soteropolitano Antônio Conceição. Na diretoria: Josellito Julião Dias — Juca Dias (presidente); Alberto Oliveira e Enádio Costa Morais (vices); Antônio Santos e Jorge Franqueira (secretários); Osvaldo Franco (diretor social); Romeu Pinto (departamento de amadores); Emilson Falcão e Ederval Falcão (departamento profissional); Rafael Xavier de Jesus (diretor de sede); Augusto Matias, Waldy Pitombo e Jackson do Amaury (departamento médico).

Assim, no dia 8 de março de 1963, o Fluminense de Feira Futebol Clube proporcionava a Feira de Santana, então com 150 mil habitantes, um momento de emoção praticamente indescritível, que deve ficar para sempre como um dos capítulos mais marcantes da sua história.

Por Zadir Marques Porto

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