PRIMEIRO: Jesus não tem boa memória. No alto da cruz, durante sua agonia, ele ouve a súplica do bom ladrão: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23, 42). Caso fosse eu, revela o cardeal, teria respondido: “Não vou te esquecer, mas os teus crimes devem ser pagos com, pelo menos, 20 anos de purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). Ele esquece todos os pecados daquele homem. Ele não só perdoa, mas esquece até mesmo que perdoou.
SEGUNDO: Jesus não
sabe matemática. É o que demonstra a parábola da ovelha perdida. Uma delas se
perde no deserto e ele então deixa as 99 para procurá-la. Para Jesus, uma
pessoa tem o mesmo valor de 99 e, talvez, mais ainda. Quem aceitaria isso?
Questiona o Cardeal. Jesus sempre nos busca onde nós estamos e não onde
deveríamos estar.
TERCEIRO: Jesus
desconhece a lógica. Uma mulher tinha dez dracmas e perde uma. Ao encontrá-la,
chama as vizinhas. Faz sentido perturbar suas amigas apenas por uma moeda? Além
disso, ela também promove uma festa para comemorar o ocorrido. E, ao fazer
festa com as amigas, não gasta somente uma dracma. Talvez, nem dez seriam
suficientes.
QUARTO: Jesus é um
aventureiro. O programa de Jesus, analisado humanamente, é destinado ao
fracasso. Ele promete, a quem o segue, julgamentos e perseguições. Aos
apóstolos, que deixaram tudo por ele, não garante nem sustento, nem casa. “O
Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8,20). Mas os discípulos
confiaram em Jesus e já são dois mil anos que milhões continuam seguindo seus
passos.istrador de uma empresa fracassaria e decretaria sua falência. Como é
possível alguém pagar o mesmo salário a quem
começa trabalhar às cinco da tarde e àquele que iniciou desde as primeiras
horas da manhã?
O
CARDEAL conclui
sua reflexão explicando que Jesus tem esses “defeitos” porque ele age sempre
por amor, não ergue barreiras, não mede, não calcula, não recorda as ofensas
recebidas e não impõe condições. Jesus sempre nos acolhe como somos e não como
deveríamos ser! Que todos nós em nossa vida pessoal, familiar e profissional
possamos viver esses “defeitos de Jesus”. Com essa certeza, desejo a você
leitor uma abençoada Páscoa!
Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito

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