segunda-feira, 27 de abril de 2026

Ela teve um sonho que levou ao diagnóstico de câncer: o cérebro realmente envia mensagens enquanto dormimos?

 

Adeline diz que, se não tivesse sonhado com a mãe lhe pedindo para ir ao médico, ela não teria recebido o diagnóstico precoce de câncer

Em 2011, Adeline teve um sonho que mudou sua vida.

Ela estava deprimida e sentia muita falta da mãe, que havia morrido três anos antes.

"Até que ela apareceu no meu sonho", conta Adeline, cujo nome foi alterado para preservar a identidade da jovem, que mora em Hong Kong.

"Lembro de dizer: 'Ah, mãe, finalmente estou te encontrando, como você está?' E ela respondeu: 'Estou bem, mas quero te dizer uma coisa: por favor, vá fazer um check-up o quanto antes'."

Adeline levou a sério a mensagem e marcou uma consulta médica.

Depois disso, foi diagnosticada com câncer em estágio inicial, que pôde ser tratado porque foi detectado de forma precoce.

"Sou muito grata", diz Adeline. "Sem esse sonho, eu não teria me apressado a fazer o exame."

Pessoas de diferentes culturas interpretam sonhos há milênios. As sociedades do Antigo Egito, da Grécia e da Babilônia acreditavam que os sonhos podiam ser proféticos.

Nas religiões abraâmicas, sonhos enviados por Deus são considerados "visões".

E, em alguns grupos indígenas, os sonhos são vistos como visitas de espíritos auxiliares.

Adeline conta que conhecia a crença tradicional chinesa de que ancestrais podem transmitir mensagens por meio dos sonhos — mas nunca imaginou que isso pudesse acontecer com ela.

Hoje, o fascínio pelos sonhos também migrou para a internet. Usuários do fórum DISCUSS, criado em Hong Kong, compartilham métodos de interpretação, enquanto centenas de pessoas no Reddit contam ter usado o ChatGPT para interpretar seus sonhos.

Mas o que sonhos como o de Adeline podem realmente nos dizer? E até que ponto cientistas e psicólogos acreditam que devemos levá-los a sério?

Gráfico mostra áreas do cérebro

Por que nós sonhamos?

Nossos cérebros adoram sonhar. Estamos "praticamente sempre sonhando" quando entramos no estágio de movimento rápido dos olhos, conhecido como sono REM, afirma o neurocientista Abidemi Otaiku, do Imperial College de Londres, no Reino Unido.

Isso significa que podemos passar até um terço do tempo em que estamos dormindo sonhando. Na verdade, se perdemos sonhos por falta de sono profundo, o cérebro tende a compensar depois, produzindo sonhos mais vívidos — um processo conhecido como "rebote do REM".

"O corpo realmente quer sonhar e vai compensar quando tiver a oportunidade", explica Otaiku.

O motivo exato pelo qual dormimos, contudo, ainda é um mistério. De forma geral, pesquisadores acreditam que o sono ajuda o cérebro a se recuperar e oferece tempo para organizar as memórias do dia.

Exames mostram que, durante o sono, o funcionamento do cérebro muda, alterando a forma como percebemos os sonhos naquele momento.

Quando estamos sonhando, os lobos frontais — responsáveis pelo raciocínio — ficam altamente desativados. Ao mesmo tempo, o sistema límbico — ligado às emoções — se torna hiperativo.

"Essa é uma das razões pelas quais os sonhos costumam ser tão estranhos e, muitas vezes, não fazem muito sentido", afirma Otaiku.

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