sábado, 5 de setembro de 2026

O Fio Invisível que Volta para Casa


O tempo passa, os cabelos mudam de cor, o passo fica mais lento, mas a verdade da nossa origem permanece intacta: hoje somos seis idosas, mas dentro de nós ainda habitam aquelas seis meninas que nasceram e cresceram na zona rural de Riachão do Jacuípe. No Dia dos Irmãos, celebrar a nossa história é festejar um milagre de permanência, um enredo escrito por Deus que o tempo não conseguiu apagar.

A nossa história tem uma ordem bonita, uma escada de afeto que o destino desenhou degrau por degrau: Nildete, Diva, Nilzete, Laudeci, Marina e eu, Maura. Ser a sexta filha, a caçula dessa linhagem de mulheres fortes, sempre foi o meu maior privilégio. Se hoje colhemos o fruto dessa cumplicidade, é porque a nossa árvore teve as raízes mais profundas e generosas. Tudo o que somos devemos aos nossos pais, Geraldo, o nosso eterno Seu Dudu, e Graciana, a nossa amada Pituzinha. Foram eles que, com sabedoria e exemplo, nos ensinaram os valores éticos, o respeito e o amor ao próximo que nos permitem, até hoje, sustentar essa união tão bonita.

A vida, com suas curvas inevitáveis, acabou nos levando por rumos diferentes. Durante anos, fomos separadas pela geografia. Cada uma construiu seu próprio ninho e enfrentou suas próprias tempestades em cantos distintos. O mapa tentou nos afastar. No entanto, a distância física nunca teve poder sobre nós. Enquanto o mundo nos queria longe, espiritualmente sempre estivemos de mãos dadas. Havia um fio invisível — tecido pelas orações e ensinamentos que aprendemos com painho e mainha — que cruzava qualquer estrada para nos manter unidas. Sabíamos que nenhuma de nós caminhava sozinha.

Agora, a maturidade nos trouxe um presente que parece poesia. O tempo desacelerou e a distância geográfica finalmente diminuiu para quase todas nós. Mas o maior milagre do meu destino foi o retorno: depois de 45 anos longe, voltei para a mesma casa onde cresci. E a vida, em sua infinita sabedoria, fez com que hoje eu, a mais nova, e Nildete, a mais velha, morássemos praticamente na mesma casa. A primeira e a última filha, unidas sob o mesmo teto que um dia abrigou a família de Seu Dudu e Dona Pituzinha.

Olhar para as minhas cinco irmãs hoje é honrar o legado dos nossos pais. Não somos apenas sobreviventes do tempo; somos a prova viva de que os valores de uma família de bem atravessam gerações. Que privilégio o meu, envelhecer sabendo que o amor de irmã é a única coisa que o tempo não consegue enrugar. Bendito seja o solo de Riachão que nos deu a vida, e benditos sejam os nossos pais por terem nos ensinado a ser, para sempre, uma só.

 

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