Ícone da música romântica popular brasileira, transformou o sofrimento amoroso em um dos maiores fenômenos culturais do país. Nascido em Caetité, na Bahia, em 13 de maio de 1933, ele nos deixou em 4 de setembro de 2008, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer de próstata, aos 75 anos. Sua trajetória é a prova viva de que a arte genuína resiste ao tempo e ao preconceito.
Do Garimpo Baiano aos Holofotes de São Paulo
Antes de arrastar multidões e se tornar uma das figuras mais carimbadas dos programas de auditório de Chacrinha e Silvio Santos, Waldick enfrentou uma vida de extrema dificuldade. Em sua juventude na Bahia, trabalhou como: Lavrador e peão de trecho. Garimpeiro de ametistas. Engraxate, faxineiro e servente de pedreiro.
Em 1958, mudou-se para São Paulo em busca de uma oportunidade. Após muitas portas fechadas em rádios, conseguiu gravar seu primeiro grande sucesso, "Quem és tu". Mas, Waldick Soriano não se destacou apenas pelo vozeirão grave e lírico. Ele foi um visionário na construção de sua identidade visual. Inspirado pelos filmes de faroeste que assistia na juventude, adotou um visual marcante: Roupas e paletós inteiramente pretos. Chapéu de abas expressivas. Os eternos e inseparáveis óculos escuros. Essa estética, que misturava a imponência do personagem de cinema Durango Kid com o charme dos malandros de cabaré, tornou-se sua marca registrada definitiva.
Os
Grandes Sucessos e o Enfrentamento ao Preconceito
Waldick cantava o abandono, o ciúme, a rejeição e a humilhação sem filtros. Embora a crítica intelectual muitas vezes rotulasse seu trabalho pejorativamente como "cafona" ou "brega", o público respondia comprando milhões de cópias. Entre suas canções mais icônicas, destacam-se:
"Eu Não Sou Cachorro, Não" (Seu hino definitivo, que entrou para o imaginário coletivo nacional). "Tortura de Amor" (Clássico absoluto que chegou a ser visado pela censura no regime militar devido ao título). "A Dama de Vermelho". "A Carta". "Paixão de Um Homem".
Sua
força era tanta que sua vida e obra foram eternizadas no cinema, tanto nos anos
1970 — estrelando filmes baseados em sua própria história — quanto em 2007, com
o aclamado documentário Waldick, Sempre no Meu Coração, dirigido pela atriz
Patrícia Pillar.
O
Retorno às Origens
Após
lutar bravamente contra um câncer de próstata por dois anos, Waldick faleceu
aos 75 anos no Rio de Janeiro. Anos mais tarde, em 2022, sua família realizou
um desejo histórico: o traslado de seus restos mortais de volta para Caetité
(BA). Hoje, ele descansa em sua terra natal ao lado de seus familiares, sob o
carinho eterno de seus conterrâneos.

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