“Ah, eu fiquei criança”, brincou Tom Zé ao visitar a exposição na noite dessa terça-feira (6), no centro da capital paulista. “Eu fiquei criança de alegria, Deus seja louvado. E abençoado seja quem tomou todo esse tempo de trabalho, com cada detalhe e cada coisa funcionando”, disse o artista, que completa nove décadas de vida no próximo domingo (11).
Chamada de Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro
de Sons, a mostra reúne memórias, músicas e elementos que ajudam a contar
um pouco sobre a vida e a obra do cantor e compositor, que nasceu na cidade
de Irará (BA) no dia 11 de outubro de 1936.
“Esta não é uma exposição apenas para você olhar, mas
para você vivenciar também. Então, você tem vários ambientes que fazem
referência a momentos da vida do Tom Zé”, destacou a curadora da exposição,
Neuseli Martins.

Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
A mostra
A exposição tem início em um espaço dedicado às
lembranças e referências musicais e literárias que contribuíram para a formação
do repertório musical de Tom Zé. Mas também há espaços que relembram a vitória
do artista no 4º Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, com a canção
São Paulo, Meu Amor, e ambientes que trazem registros de shows e até
um quiz sobre a trajetória do artista.
“A gente tem um ambiente que é a casa dele, outro
dedicado aos festivais aqui em São Paulo e, depois, a gente tem um outro
ambiente que é um momento em que ele começa a criar os instrumentos e trazer
muitas diferentes alternativas para a música, porque ele achava que tinha mais
coisa para ser explorada, não somente aquilo que ele já ouvia. Ele queria novos
sons”, explicou a curadora.
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| Réplica do buzinório, instrumento musical criado por Tom Zé - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil |
Um dos primeiros visitantes da mostra foi o músico e instrumentista Jarbas Mariz, que integrou a banda de Tom Zé por 32 anos. Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Jarbas contou que conheceu Tom Zé em 1988, apresentado por um amigo.
“O Tom Zé chegou assim: ‘Ah, meu querido’, como se já me
conhecesse há um tempo”, disse. “Ele chegou e disse: ‘Você topa ceder dois anos
e meio da sua carreira para trabalhar comigo?’. Eu digo: ‘Claro’. E aí esses
dois anos e meio viraram 32.”
O músico e instrumentista disse que, nesse período,
aprendeu muita coisa com Tom Zé, desde a avaliação da qualidade dinâmica da
música popular até o uso de materiais não convencionais, passando pela
pontualidade com horários.
“Tom Zé é assim, ele marca um horário para ensaiar às 9h.
Mas, se você chegar às 9h, está atrasado”, brincou. “Então tem muita coisa que
a gente aprende [com ele] como a trabalhar com instrumentos não convencionais.
Aprendi muito com ele como pegar qualquer instrumento e transformar aquilo ali
em som e colocar na sua música também.”
Jarbas foi um grande parceiro de Tom Zé também nos
arranjos de composições. “O Tom Zé, você sabe como ele é, ele é muito criativo.
Ele geralmente bola o esquema em casa com as coisas e daí a gente chega, junta
e dá umas opiniões e tal. E aí a gente fecha os arranjos e tudo, mas a primeira
cabeça é a dele”, contou.

Tom Zé visita exposição em homenagem aos seus 90 anos na Caixa Cultural São Paulo - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Inspiração
Tom Zé tem a carreira marcada pela experimentação e pela
criatividade. Foi um dos principais nomes do tropicalismo, um movimento
cultural vanguardista, de contestação política e de ressignificação do Brasil,
que marcou diferentes setores culturais, como a música e a literatura. É
também um artista de grande projeção internacional. Desde 2022, ele ocupa um
lugar na Academia Paulista de Letras.
Perto de completar 90 anos, Tom Zé continua criando e
produzindo. “De manhã, faço práticas [orientais] que têm a ver com todos o
funcionamento humano. E, enquanto eu fizer isso, eu vou estar vivo, se Deus
quiser”, disse o artista. “Então, eu estou a fim de chegar aos 100”.
Para a curadora da exposição, Tom Zé é não somente uma
pessoa criativa, mas também uma grande inspiração.
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| Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil |
“Ele inspira pessoas dos 10 aos 100 anos. Estamos vendo
ele ainda em atividade, criando, gravando e principalmente dialogando com
várias gerações. Eu acho isso uma característica muito incrível. Ele é uma
pessoa que está sempre buscando descobrir alguma coisa nova ou ver as coisas de
uma forma diferente. Então, isso é uma inspiração para nós e é uma honra poder
fazer essa homenagem.”
A mostra, que é gratuita, fica em cartaz até o dia 13 de
dezembro na Caixa Cultural São Paulo, localizada na Praça da Sé. Mais
informações podem ser obtidas neste
link ou nas redes sociais da Caixa Cultural.
Agência Brasil



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