Volto ao assunto do Aeroporto de Feira de Santana, mais uma vez, porque o equipamento teve suas atividades suspensas temporariamente pela Prefeitura Municipal por falta de licença ambiental — vencida desde dezembro de 2025. Em agosto, o aeroporto sofreu um apagão que impediu o pouso do avião do candidato ao governo ACM Neto. Segundo a Seinfra (Secretaria de Infraestrutura), uma pane elétrica interna desativou o disjuntor responsável por alimentar as luzes da pista. Como o sistema de energia alternativa falhou — ou não cobriu a demanda a tempo —, as operações noturnas foram imediatamente suspensas. Os dois episódios são de uma clareza cristalina: há descaso com o aeroporto.
É verdade que, em janeiro, o Governo do Estado concluiu a ampliação da pista, que passou de 1,5 mil para 1,8 mil metros de extensão por 30 metros de largura. Para compararmos, a pista do Aeroporto de Vitória da Conquista tem 2,1 mil metros, e a de Porto Seguro, 2 mil metros. Ambas com 45 metros de largura. No entanto, só em junho – seis meses após a conclusão da pista –, a Seinfra abriu uma nova licitação de R$ 6,1 milhões, focada na adequação da taxiway (pista de taxiamento) e ampliação do pátio de estacionamento.
A pista de taxiamento será ampliada de 17,8 para 25 metros, além de receber novos acostamentos e a readequação do balizamento noturno. O pátio de aeronaves passará de 9,8 mil metros quadrados para 17 mil metros quadrados, permitindo a parada simultânea de dois aviões de grande porte (como o Airbus 330). A licitação foi vencida pela empresa Buloke Construção e Serviços e ainda está em fase de avaliação de documentos. Quando for homologada – se for – a empresa terá três meses para executar o serviço.
A verdade é que há uma exasperante lentidão nas intervenções do aeroporto, que parecem se destinar apenas a postergar o início real das atividades. A eterna desculpa de que o equipamento não seria viável chega a ser risível. Para se ter uma ideia, o Aeroporto de Conquista movimentou 412 mil passageiros em 2025 – mostrando nosso potencial –, enquanto o de Salvador movimentou 8,1 milhões – mostrando que o receio do desvio de passageiros da capital – que parece ser o maior temor e entrave velado – não é um motivo razoável para esse retardo.
Para efeito de comparação, Campina Grande (PB) tem 419 mil habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,9 bilhões. Feira tem 660,8 mil habitantes e PIB de R$ 21,8 bilhões. O Aeroporto de Campina Grande registrou 260 mil passageiros em 2024, mesmo cercado por diversos outros aeroportos: João Pessoa a 115 quilômetros, Caruaru a 113 quilômetros, Recife a 146 quilômetros, Patos a 152 quilômetros e Natal a 172 quilômetros.
Feira de Santana exerce influência sobre 1,5 milhão de pessoas, englobando os municípios da sua Região Metropolitana e, pelo menos, mais 15 cidades vizinhas. Essa abrangência eleva o PIB regional a pelo menos R$ 35 bilhões. Com esta população e volume de recursos, o aeroporto é indiscutivelmente viável.
O governador Jerônimo Rodrigues – com profunda ligação com essa cidade – justiça seja feita, tem atendido a algumas de nossas demandas históricas (Centro de Cultura Amélio Amorim, Centro de Convenções e a ampliação do HGCA). No entanto, caminha para terminar este mandato sem conseguir entregar, como legado, uma das maiores ambições da população, que é a conclusão definitiva do Aeroporto de Feira.

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