segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Chega de mentiras!

 

“Vou negando as aparências, disfarçando as evidências.”

O hino paralelo do Brasil, composto por José Augusto e tornado famoso por Chitãozinho e Xororó, me vem à memória quando ouço as últimas notícias sobre a Sodoma e Gomorra que permeia o sistema político, empresarial e jurídico do Brasil.

Os ocupantes do STF esqueceram completamente a liturgia do cargo e o respeito que devem àqueles que os sustentam no poder. Agem como soberbos detentores de capitanias hereditárias, dedicados a explorá-las e espoliá-las como se não houvesse limites nem explicações a dar. Esquecem que, em última instância, são servidores públicos, empregados do cidadão, e lhe devem o cargo, o dever, a hombridade e o caráter.

A erva daninha plantada por Gilmar Mendes frutificou, e a instituição desceu a níveis de valores e escrúpulos que parecem literalmente inexistentes. Sim, ervas daninhas costumam infestar todo ambiente em que se instalam sem serem arrancadas, e o Supremo Tribunal Federal passou a ser vítima de uma ocupação contagiosa e indecente.

As obscenas revelações sobre benefícios financeiros, as ameaças do decano contra colegas, o assédio intelectual ao gênio de Aristóteles, a censura, o uso de inquérito irregular para calar a imprensa e perseguir adversários escandalizam o país, enquanto os vendilhões do templo tentam desqualificar os fatos ou sobreviver a qualquer preço.

Há, no entanto, dois momentos, nesta semana, que chocam pela exposição da nudez do caráter. Como uma faca retalhando a indignação do cidadão.

Em um deles, Paulo Gonet, procurador-geral da República, afirma no plenário do STF, diante de todo o Brasil, não ter proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. Eis que vem à luz uma foto do tartufo  do MP, sorridente e fumando charuto, em Londres, ao lado do referido criminoso.

Em outro, Alexandre de Moraes afirma textualmente que nunca usou avião de Vorcaro, empresário cujo banco mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de sua mulher. Então, além das mensagens sobre cotas nas aeronaves, vem a público um vídeo do casal em um avião de Vorcaro.

Como é possível que o brasileiro aceite e suporte que representantes do mais alto escalão do Judiciário façam afirmações públicas que, diante de imagens e documentos  divulgados, revelam o cinismo  diante das relações promiscuas com o dono do Banco Master?

É inaceitável.

Como diz a canção: Chega de mentiras!

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