![]() |
| Carreta do ProPulmão Móvel já realizou 2.018 exames na Bahia e ajudou a diagnosticar 18 casos de câncer de pulmão. Foto: Divulgação/Instituto ProPulmão. |
Uma carreta detecta câncer de pulmão por meio de exames de tomografia e acaba de conquistar um prêmio nacional pelo trabalho realizado na Bahia. O projeto ProPulmão Móvel, do Instituto ProPulmão, realizou 2.018 exames em quatro municípios baianos e ajudou a diagnosticar 18 casos da doença. A iniciativa recebeu R$ 10 mil para continuar ampliando o acesso ao rastreamento.
O reconhecimento veio na terceira edição do Merula Steagall Awards, realizada em São Paulo, em 30 de setembro. O instituto venceu a categoria Cuidado ao Paciente e foi escolhido como o grande vencedor da premiação, que reconhece projetos capazes de melhorar o atendimento de pessoas com câncer no Brasil.
A iniciativa é liderada pelo cirurgião torácico Ricardo Sales, presidente do Instituto ProPulmão, e conta com a participação da fisioterapeuta e diretora de pesquisa Juliana Franceschini. O objetivo é levar exames a pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pulmão, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades de acesso ao diagnóstico.
Como funciona a carreta
O ProPulmão Móvel utiliza uma unidade equipada com tomografia computadorizada de baixa dose, exame que permite identificar alterações nos pulmões antes mesmo do aparecimento de sintomas em pessoas selecionadas para rastreamento.
O projeto começou a circular em 2023, depois de uma parceria com a Universidade Senai Cimatec, na Bahia. A primeira parada foi em Salvador, em uma comunidade próxima ao local onde a carreta foi construída, para testar o funcionamento dos equipamentos e a transmissão de dados.
Depois, a unidade passou por outros três municípios baianos. Ao todo, mais de 5 mil pessoas demonstraram interesse em participar, mas nem todas atendiam aos critérios de rastreamento adotados pelo projeto.
Mais de 2 mil exames e 18 diagnósticos
O trabalho da carreta detecta câncer de pulmão em pessoas selecionadas para o rastreamento, principalmente aquelas com histórico de tabagismo e idade entre 50 e 80 anos. Segundo Juliana Franceschini, diretora de pesquisa do instituto, os participantes passam por uma avaliação para verificar se atendem aos critérios do programa.
Entre os interessados, 2.018 pessoas realizaram a tomografia. Os exames e a investigação posterior permitiram diagnosticar 18 casos de câncer de pulmão.
O resultado mostra a importância de ampliar o acesso à investigação da doença. O câncer de pulmão pode se desenvolver sem apresentar sintomas nas fases iniciais, o que contribui para que muitos pacientes recebam o diagnóstico quando a doença já está avançada.
Prêmio de R$ 10 mil para ampliar o projeto
O Merula Steagall Awards é promovido pela Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) e pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer. Nesta edição, recebeu 84 inscrições de iniciativas voltadas ao atendimento, à informação e à melhoria das políticas públicas na área oncológica.
O Instituto ProPulmão foi reconhecido na categoria Cuidado ao Paciente e recebeu o prêmio principal de R$ 10 mil, destinado à continuidade do projeto.
Além do trabalho na Bahia, o instituto atua em parceria com o Instituto Sócrates Guanaes em municípios de São Paulo, apoiando iniciativas de prevenção, diagnóstico e organização do atendimento de pessoas com doenças pulmonares.
A expectativa da equipe é que o modelo ajude a levar o rastreamento a mais brasileiros, especialmente em regiões onde o acesso a exames especializados ainda é limitado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário