sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Perdeu, mané

O antipetismo é um dos movimentos políticos mais consistentes do país. Lula continuou bem votado entre ricos e intelectuais — parte deles se beneficiando nas franjas do poder, outra parte cultivando a estética de parecer moderna, progressista e politicamente correta. Onde ele perdeu força foi sobretudo na classe média, aquela que, ao ascender, quer empreendedorismo, segurança, estabilidade e o direito elementar de viver em paz com a família.

Mas isso não explica sozinho a avalanche final que levou a direita a uma posição dominante. Há outro personagem: o Supremo Tribunal Federal(STF)

Nos últimos anos, o STF passou a ser visto como um poder político, protagonista da governança. Ao interferir sucessivamente em temas do Legislativo, assumir partidarismo em processos eleitorais e exercer poderes extraordinários em inquéritos, o Supremo rompendo o sistema de freios e contrapesos  da República.

O resultado está nas pesquisas. Hoje, 76% dos brasileiros consideram que os ministros têm poder excessivo e não são  confiáveis. É muita coisa. Uma Corte Suprema pode sobreviver a críticas; dificilmente sobrevive muito tempo à perda de legitimidade.

A crise do Banco Master agravou tudo. Documentos e mensagens revelaram relações entre o mafioso Daniel Vorcaro e diferentes ministros. No caso de Alexandre de Moraes, há material sob investigação envolvendo contatos e contratos de R$131 milhões com sua esposa,  que o transformaram em um farrapo moral.  Com Dias Toffoli, a  parceria é em um resort, o Tayayá.  

Ministro do Supremo não precisa esperar uma condenação para perceber que perdeu as condições políticas e institucionais de permanecer julgando. A Constituição exige reputação ilibada para o cargo. Quando fatos graves colocam essa reputação sob dúvida objetiva, afastar-se  é preservar a instituição.

O problema é que, até agora, a lógica parece invertida: em vez de afastar a suspeita da Corte, tenta-se afastar a Corte da suspeita.

Não funciona.

O Congresso já deveria ter exercido sua prerrogativa constitucional de fazer o impeachament,  mas seu presidente Alcolumbre, também tem relacionamento com comunhão de bens com o Master e não deixa o processo avançar. O Brasil não precisa de um Supremo enfraquecido. Precisa de um Supremo respeitado. E isso nasce da confiança. Com vitória de Lula o STF conseguirá se salvar; uma vitória de Flávio não permitirá que isso aconteça pelo risco do governo e Congresso acabarem no primeiro dia.

O STF entrou na disputa política e vai pagar o preço do partidarismo e das suspeitas de negociatas.

Talvez essa seja a lição desta eleição: ninguém está acima das instituições. E para quem imaginava que nada mudaria, resta a frase que já entrou para o folclore político brasileiro, dita por um ex-ministro da casa:

Perdeu, mané!

 

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