O antipetismo é um dos movimentos políticos mais consistentes do país. Lula continuou bem votado entre ricos e intelectuais — parte deles se beneficiando nas franjas do poder, outra parte cultivando a estética de parecer moderna, progressista e politicamente correta. Onde ele perdeu força foi sobretudo na classe média, aquela que, ao ascender, quer empreendedorismo, segurança, estabilidade e o direito elementar de viver em paz com a família.
Mas isso não explica sozinho a avalanche final que levou a direita a uma posição dominante. Há outro personagem: o Supremo Tribunal Federal(STF)
Nos
últimos anos, o STF passou a ser visto como um poder político, protagonista da
governança. Ao interferir sucessivamente em temas do Legislativo, assumir
partidarismo em processos eleitorais e exercer poderes extraordinários em
inquéritos, o Supremo rompendo o sistema de freios e contrapesos da
República.
O
resultado está nas pesquisas. Hoje, 76% dos brasileiros consideram que os
ministros têm poder excessivo e não são confiáveis. É muita coisa. Uma
Corte Suprema pode sobreviver a críticas; dificilmente sobrevive muito tempo à
perda de legitimidade.
A
crise do Banco Master agravou tudo. Documentos e mensagens revelaram relações
entre o mafioso Daniel Vorcaro e diferentes ministros. No caso de Alexandre de
Moraes, há material sob investigação envolvendo contatos e contratos de R$131
milhões com sua esposa, que o transformaram em um farrapo moral.
Com Dias Toffoli, a parceria é em um resort, o Tayayá.
Ministro
do Supremo não precisa esperar uma condenação para perceber que perdeu as
condições políticas e institucionais de permanecer julgando. A Constituição
exige reputação ilibada para o cargo. Quando fatos graves colocam essa
reputação sob dúvida objetiva, afastar-se é preservar a instituição.
O
problema é que, até agora, a lógica parece invertida: em vez de afastar a
suspeita da Corte, tenta-se afastar a Corte da suspeita.
Não
funciona.
O
Congresso já deveria ter exercido sua prerrogativa constitucional de fazer o
impeachament, mas seu presidente Alcolumbre, também tem relacionamento
com comunhão de bens com o Master e não deixa o processo avançar. O Brasil não
precisa de um Supremo enfraquecido. Precisa de um Supremo respeitado. E isso
nasce da confiança. Com vitória de Lula o STF conseguirá se salvar; uma vitória
de Flávio não permitirá que isso aconteça pelo risco do governo e Congresso
acabarem no primeiro dia.
O
STF entrou na disputa política e vai pagar o preço do partidarismo e das
suspeitas de negociatas.
Talvez
essa seja a lição desta eleição: ninguém está acima das instituições. E para
quem imaginava que nada mudaria, resta a frase que já entrou para o folclore
político brasileiro, dita por um ex-ministro da casa:
Perdeu,
mané!

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