Vivemos a eleição mais importante desde a redemocratização porque ela encerra uma era — independentemente de quem herdar o trono. Lula ou Flávio ganhando representará apenas o espasmo agonizante de um modelo populista que nos legou confronto, ódio, ressentimento e um crescimento econômico tão pífio que faz a média mundial parecer o ápice do desenvolvimento.
Temos uma nação endividada, com indicadores educacionais trágicos e respirando por aparelhos à base de auxílios estatais. Criou-se uma cultura que criminaliza o empreendedorismo e jura que pautas identitárias — sem um centavo de lastro financeiro — são o passaporte para a salvação. Esquecem-se, em suas bolhas iluminadas, da imensa maioria silenciosa que busca apenas segurança, crescimento e a sobrevivência da família. A esquerda perdeu o manual de instruções dessa população, o que explica o favoritismo de Flávio Bolsonaro, herdeiro direto do governo bizarro que seu pai liderou.
Se Lula vencer, a crise institucional ganhará
prorrogação, já que o Congresso desenhou-se majoritariamente à direita. Não vai
adiantar vídeo piegas de artistas milionários com olhar de paisagem. Essa gente
adora o Estado para seus próprios caprichos e renúncias fiscais, mas nunca doou
um centavo de suas gordas verbas para o povo que afirma amar em posts
engajados. Podem vencer nas urnas, mas perderam o poder de convencer. Mais do
que a vitória do adversário, é a própria persona mítica de Lula que desmorona.
Ele foi o arquiteto da compra de apoio parlamentar em parcerias carnais com o
empresariado, ecossistema que pariu o Petrolão, o Mensalão, os escândalos dos
fundos de pensão e o onipresente Banco Master — nascido na Bahia com
paternidade assinada pelo petismo.
Para coroar o espetáculo, o consórcio com o perverso e
juridicamente devastado STF foi o golpe de misericórdia. O identitarismo de
boutique saturou a sociedade com extremismos histéricos, enquanto a impunidade
cirúrgica decretada pelos tribunais superiores jogou a pá de cal na nossa
moralidade. No Brasil, Lula e Bolsonaro são simbióticos: só se erguem sobre as
ruínas um do outro. Vence quem oferecer o cemitério menos assustador no
momento.
A nossa esperança é que o crepúsculo desse hospício
político abra caminho para que, em 2030, surjam novas lideranças sem delírio
messiânico. Nomes como Tarcísio de Freitas em São Paulo, consagrado por um
tsunami de votos, e Raquel Lyra em Pernambuco surgem como alternativas
para nos livrar dessa dicotomia do "menos pior", onde o voto virou
legítima defesa baseada na rejeição. Precisamos de uma transição que nos cure
de egos inflados, falácias apocalípticas, overdoses de narrativas e do cinismo
de projetos alimentados a propina.
A vitória de Flávio, por outro lado, trará um imperativo
categórico: a proibição de qualquer armistício com o STF. Os ministros cruzaram
o ponto de não retorno, afogados em arrogância imperial e trazendo insegurança
jurídica. Pautas duras como a limitação do tempo de mandato, idade mínima de
ingresso e a limitação das decisões monocráticas são o feijão com arroz
necessário para reorganizar o galinheiro institucional. Essa foi uma bandeira
que Lula entregou de bandeja, justamente porque o STF atuou sem qualquer pudor
como comitê de campanha informal do petismo — mesmo que a militância
zumbificada grite o contrário.
A 15 dias do pleito, impressiona as medidas oportunistas,
o festival de fake news e o terrorismo psicológico da esquerda nas redes para
assustar o eleitor. Intelectuais de prestígio saltam de cabeça na lama por uma
paixão ideológica de temporada. Enquanto isso, nos tapetes de Brasília, após a
última gravação de Vorcaro, as forças cortesãs se movimentam freneticamente
pela sobrevivência das almas caídas em desgraça, habituadas ao aroma de
charutos cubanos, uísques de malte e belas mulheres de aluguel. É o verdadeiro
baile da Ilha Fiscal, a última e imoral dança desta República falida.
A necessidade de mudar o disco é gritante. O preço não
será barato, mas continuar parado no mesmo lugar custa os olhos da cara.

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