domingo, 1 de fevereiro de 2026

Del Feliz levanta debate sobre cachês e defesa do forró tradicional


O cantor e compositor Del Feliz levantou a voz em defesa da cultura nordestina e contra os cachês milionários pagos a artistas de fora durante os festejos juninos, especialmente no São João. A declaração foi feita durante entrevista ao 
Bom Dia Feira, na Princesa FM, em meio ao debate que vem ganhando força entre prefeitos baianos sobre os altos gastos com recursos públicos para contratação de grandes atrações nacionais.

Del destacou que não se trata de questionar o valor artístico ou o cachê de cantores consagrados do sertanejo, do arrocha ou de outros estilos, mas de chamar atenção para a desproporção dos investimentos e para o impacto disso nas cidades, principalmente nos pequenos municípios.

“Quando uma cidade pequena paga um cachê de um milhão de reais, está comprometendo recursos que poderiam ser investidos em saúde, educação e na própria cultura local. Isso vira uma conta que até quem ainda não nasceu acaba pagando”, afirmou.

O artista relembrou que essa discussão não é nova. Desde 2015, Del Feliz já articulava, ao lado de outros forrozeiros, um movimento para garantir que parte dos recursos públicos destinados às festas tradicionais fosse obrigatoriamente investida em atrações ligadas à cultura local. A proposta chegou a virar lei, mas nunca foi regulamentada.

Segundo ele, o crescimento exagerado dos cachês ao longo dos últimos anos provocou um efeito colateral grave: a desvalorização dos artistas regionais, muitos deles recebendo valores simbólicos para se apresentar em festas que carregam justamente a identidade que eles representam.

“Tem cidade pagando 500 reais a um trio de forró. Isso é um crime cultural. O São João é o que é hoje porque tem identidade, tem sanfona, tem dança, tem tradição. Quando você tira isso, você destrói a festa”, pontuou.

Del também citou como exemplo positivo a postura do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, que declarou não aceitar pagar cachês acima de um milhão de reais. Para o cantor, a atitude trouxe o debate para o centro das atenções e pode ajudar a corrigir distorções históricas.

Além da defesa da cultura regional, o artista destacou que o forró tem força de público comprovada, citando o São João realizado no Pelourinho, em Salvador, com programação majoritariamente tradicional, que reuniu grandes nomes do gênero e atraiu multidões.

Reconhecido internacionalmente como embaixador do forró, Del Feliz também falou sobre sua trajetória fora do Brasil, com apresentações na França e participação em eventos ligados à Unesco, reforçando a campanha para que o forró seja reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade.

“Eu não estou brigando com prefeitos nem com artistas. O que a gente quer é respeito. Dá pra fazer um São João bonito, animado e economicamente viável valorizando quem representa de verdade essa cultura”, concluiu.

Com informações do bomdiafeira.com.br

Confira vídeo de Del Feliz que está circulando nas redes sociais.



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