Dizer adeus nunca é fácil, mas encontrar consolo nas memórias que construímos torna a partida um pouco mais leve. Hoje, meu coração se aperta com a transição da querida Gorette para a pátria espiritual, mas se aquece ao lembrar da sua luz, da nossa história e do carinho que nunca se perdeu.
Nossa adolescência foi um capítulo mágico. Passeio nas imagens dos bailes no Clube Euterpe Jacuipense, Lira 8, nos desfiles de Broto do Ano que você participava e eu apoiava. O jornalzinho Olho Vivo que editamos no Ginásio Nossa Senhora da Conceição (eu estava longe de imaginar que me tornaria jornalista), os primeiros anos na UEFS. O tempo passou, a vida adulta nos apresentou caminhos diferentes e o distanciamento físico aconteceu. Mas a verdade é que nunca nos afastamos de verdade. Sabíamos uma da outra e, em cada evento social em que nos cruzávamos, o tempo parecia congelar: a conexão era imediata, com a mesma naturalidade dos nossos anos de juventude.
Gorette guardava a menina generosa da
adolescência na mulher grandiosa que se tornou. Jamais
esquecerei o dia em que eu e meu marido, Cristóvam, comemoramos 25 anos de
jornalismo. Em meio às homenagens e ao lançamento do livro de crônicas dele,
Gorette — com sua sensibilidade única e no papel de diretora da Fundação Jonathas Telles de
Carvalho — me preparou a surpresa mais emocionante da minha vida.
Sua partida deixa uma saudade bonita e
profunda. O espiritismo nos conforta ao lembrar que o amor não
se rompe com o fim do corpo físico. Gorette apenas seguiu viagem um pouco
antes. O laço que criamos na juventude, e que ela selou com tanta delicadeza na
nossa vida adulta, atravessa qualquer distância entre o plano físico e o
espiritual.
Siga em paz, minha amiga Gorette. Que
os benfeitores espirituais te recebam com a mesma harmonia, música e luz que
você espalhou por aqui. Guardarei o seu sorriso e aquele coral inesquecível
gravados na minha mente e no meu coração, até o dia do nosso reencontro.
Gratidão eterna por ter feito parte da
minha história.

2 comentários:
Maura Sérgia , você mexeu com minhas emoções , fiquei arrepiada em ler seu grandioso relato , esta retrospectiva nos mínimos detalhes , de duas amigas , vizinhas , numa trajetória tão linda . Goi foi uma pessoa que só plantou o bem , por onde ela passava , ela construía e deixava suas marcas de generosidade. Lembro , ainda criança , quando começou a construção daquele hospital ( O Bom Samaritano ) em nosso bairro da Caixa D’Água , quando entendi o sentido da palavra , não foi difícil esquecer , eu assimilei o sentido , na associação do que Ela já representava para mim , e no meu restrito conhecimento infantil , eu falei : Goi , é uma Boa Samaritana! Obrigada, por estas memórias fundamentais para imortalizar e disseminar , o sentido de ser Gorette. Eu , Bárbara, te agradeço em nome de toda nossa família, por esta amizade e carinho , à nossa Goi ! Beijos .
Como é bom ler histórias lindas sobre a vida de minha tia Goy, gratidão pela homenagem, a emoção tomou conta do início ao fim.
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