sexta-feira, 31 de julho de 2026

O Canto da Saudade e da Gratidão: Até Breve, Gorette

 

Dizer adeus nunca é fácil, mas encontrar consolo nas memórias que construímos torna a partida um pouco mais leve. Hoje, meu coração se aperta com a transição da querida Gorette para a pátria espiritual, mas se aquece ao lembrar da sua luz, da nossa história e do carinho que nunca se perdeu.

Nossa adolescência foi um capítulo mágico. Passeio nas imagens dos bailes no Clube Euterpe Jacuipense, Lira 8, nos desfiles de Broto do Ano que você participava e eu apoiava. O jornalzinho Olho Vivo que editamos no Ginásio Nossa Senhora da Conceição (eu estava longe de imaginar que me tornaria jornalista), os primeiros anos na UEFS. O tempo passou, a vida adulta nos apresentou caminhos diferentes e o distanciamento físico aconteceu. Mas a verdade é que nunca nos afastamos de verdade. Sabíamos uma da outra e, em cada evento social em que nos cruzávamos, o tempo parecia congelar: a conexão era imediata, com a mesma naturalidade dos nossos anos de juventude.

Gorette guardava a menina generosa da adolescência na mulher grandiosa que se tornou. Jamais esquecerei o dia em que eu e meu marido, Cristóvam, comemoramos 25 anos de jornalismo. Em meio às homenagens e ao lançamento do livro de crônicas dele, Gorette — com sua sensibilidade única e no papel de diretora da Fundação Jonathas Telles de Carvalho — me preparou a surpresa mais emocionante da minha vida.

Ela trouxe o coral de deficientes visuais para cantar para nós. Sabendo da minha admiração profunda pelo meu ídolo, Jerry Adriani, ela orquestrou aquele momento puramente com o coração. Ouvir aquelas vozes tocando a alma com as canções que marcaram minha vida (Querida, doce, doce amor, Olhos Feiticeiros) foi um presente eterno. Ali estava a essência da Gorette: a capacidade de incluir, de emocionar e de celebrar o outro. Também quando celebrei meus 50 anos de vida, ela estava lá para me abraçar. Sabe aquela placa “Vetor de Luz” homenagem da Fundação que você me agraciou em 2004? Ainda está aqui junto com outros troféus e placas.


Sua partida deixa uma saudade bonita e profunda.
O espiritismo nos conforta ao lembrar que o amor não se rompe com o fim do corpo físico. Gorette apenas seguiu viagem um pouco antes. O laço que criamos na juventude, e que ela selou com tanta delicadeza na nossa vida adulta, atravessa qualquer distância entre o plano físico e o espiritual.

Siga em paz, minha amiga Gorette. Que os benfeitores espirituais te recebam com a mesma harmonia, música e luz que você espalhou por aqui. Guardarei o seu sorriso e aquele coral inesquecível gravados na minha mente e no meu coração, até o dia do nosso reencontro.

Gratidão eterna por ter feito parte da minha história.

2 comentários:

Anônimo disse...

Maura Sérgia , você mexeu com minhas emoções , fiquei arrepiada em ler seu grandioso relato , esta retrospectiva nos mínimos detalhes , de duas amigas , vizinhas , numa trajetória tão linda . Goi foi uma pessoa que só plantou o bem , por onde ela passava , ela construía e deixava suas marcas de generosidade. Lembro , ainda criança , quando começou a construção daquele hospital ( O Bom Samaritano ) em nosso bairro da Caixa D’Água , quando entendi o sentido da palavra , não foi difícil esquecer , eu assimilei o sentido , na associação do que Ela já representava para mim , e no meu restrito conhecimento infantil , eu falei : Goi , é uma Boa Samaritana! Obrigada, por estas memórias fundamentais para imortalizar e disseminar , o sentido de ser Gorette. Eu , Bárbara, te agradeço em nome de toda nossa família, por esta amizade e carinho , à nossa Goi ! Beijos .

Anônimo disse...

Como é bom ler histórias lindas sobre a vida de minha tia Goy, gratidão pela homenagem, a emoção tomou conta do início ao fim.