quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Injeção antienvelhecimento regenera cartilagem do joelho e previne artrite; terapia inovadora

 

Uma nova injeção antienvelhecimento conseguiu melhorar as articulações do joelho. Agora pode ser usada em outros tratamentos - Foto: Pixbay

Um estudo liderado pela Stanford Medicine mostrou que uma injeção antienvelhecimento, capaz de bloquear uma proteína ligada ao envelhecimento, conseguiu reverter a perda natural de cartilagem no joelho de camundongos idosos. O mesmo tratamento também reduziu o risco de desenvolvimento de artrite após lesões comuns no joelho.

A pesquisa chama atenção porque a osteoartrite é uma doença degenerativa para a qual, até hoje, não existem medicamentos capazes de retardar ou reverter o desgaste da cartilagem. Na prática, a prevenção e, em estágios avançados, a substituição da articulação ainda são as principais estratégias.

Além dos testes em animais, amostras de cartilagem humana retiradas durante cirurgias de prótese de joelho também responderam ao tratamento, formando cartilagem funcional. O resultado abre caminho para terapias que, no futuro, possam reduzir a necessidade de cirurgias de substituição articular.

Centro da pesquisa

O alvo do tratamento é a proteína 15-PGDH, descrita pelos pesquisadores como um “gerozyme”, termo usado para enzimas que aumentam com a idade e contribuem para a perda de função dos tecidos. Estudos anteriores já haviam mostrado que essa proteína tem papel importante na perda de força muscular associada ao envelhecimento.

Quando a atividade da 15-PGDH é bloqueada em camundongos idosos, ocorre aumento de massa muscular e melhora da resistência física. O efeito oposto também foi observado: ao estimular essa proteína em animais jovens, os músculos tendem a encolher e perder força.

A equipe decidiu investigar se o mesmo mecanismo poderia estar envolvido no desgaste da cartilagem das articulações, especialmente no joelho, uma das regiões mais afetadas pela osteoartrite.

Ao comparar camundongos jovens e idosos, os pesquisadores observaram que a quantidade de 15-PGDH na cartilagem do joelho praticamente dobra com a idade. A partir daí, iniciaram testes com uma pequena molécula capaz de inibir essa proteína.

O medicamento foi administrado tanto de forma sistêmica quanto diretamente na articulação. Em ambos os casos, a cartilagem, que era mais fina e menos funcional nos animais mais velhos, voltou a engrossar ao longo da superfície do joelho.

Os exames mostraram que as células da cartilagem, chamadas condrócitos, passaram a produzir cartilagem hialina, o tipo mais resistente e funcional, e não fibrocartilagem, que tem desempenho inferior. Segundo Nidhi Bhutani, professora associada de cirurgia ortopédica, “a regeneração da cartilagem em animais envelhecidos surpreendeu a equipe”.

Proteção contra artrite

O estudo também avaliou o efeito do tratamento em camundongos com lesões semelhantes às rupturas de ligamento cruzado anterior, comuns em esportes que envolvem saltos e mudanças bruscas de direção.

Mesmo após a correção cirúrgica, metade das pessoas com esse tipo de lesão desenvolve osteoartrite no joelho ao longo dos anos. Nos testes com animais, uma série de injeções aplicadas duas vezes por semana, durante quatro semanas após a lesão, reduziu de forma significativa o risco de surgimento da doença.

Os camundongos tratados também apresentaram movimentos mais próximos do normal e maior apoio da pata afetada, em comparação com os animais que não receberam o medicamento.

Resposta ao tratamento

Diferentemente de outros tecidos, como osso e músculo, a regeneração da cartilagem observada no estudo não dependeu da ativação de células-tronco. Os condrócitos já existentes mudaram o padrão de expressão dos genes, assumindo um comportamento mais semelhante ao de células jovens.

Nos animais mais velhos, essas células costumam expressar genes ligados à inflamação e à transformação da cartilagem em tecido ósseo indesejado. Com a inibição da 15-PGDH, esse padrão foi parcialmente revertido.

Para Helen Blau, professora de microbiologia e imunologia, “trata-se de uma nova forma de regeneração de tecidos adultos, com potencial clínico relevante para artrite relacionada ao envelhecimento ou a lesões”.

Outros resultados

A equipe analisou amostras de cartilagem humana retiradas de pacientes com osteoartrite durante cirurgias de substituição total do joelho. Após uma semana de tratamento em laboratório com o inibidor da 15-PGDH, o tecido apresentou redução de marcadores ligados à degradação da cartilagem.

Além disso, houve sinais iniciais de regeneração da cartilagem articular funcional. Para os pesquisadores, esse achado indica que células já presentes na articulação humana podem ser estimuladas a se recuperar, sem a necessidade de transplantes celulares.

Próximos passos

Uma versão oral do inibidor da 15-PGDH já está em testes clínicos de fase 1 para tratar fraqueza muscular relacionada à idade. Esses primeiros estudos indicaram que o medicamento é seguro em voluntários saudáveis.

A expectativa da equipe é iniciar, no futuro, testes semelhantes focados na regeneração da cartilagem. A proposta é avaliar se os efeitos observados em animais e tecidos humanos em laboratório podem ser reproduzidos em pacientes.

Uma nova injeção antienvelhecimento conseguiu melhorar as articulações do joelho. Agora pode ser usada em outros tratamentos - Foto: Pixbay
Uma nova injeção antienvelhecimento conseguiu melhorar as articulações do joelho. Agora pode ser usada em outros tratamentos – Foto: Pixbay
Só Notícia Boa

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