Olhar para trás e celebrar 68 anos de vida é compreender que sou feita de histórias, de afetos e de lugares que guardo para sempre no coração. Minha jornada começou com a simplicidade mais bonita: a infância em Pé de Serra, onde o mundo ganhava cor com as bonecas de pano costuradas pelas mãos cheias de amor de minha mãezinha. Lembro-me, com uma saudade mansa, dos "cozidos" que improvisávamos nos quintais, estendendo a infância em brincadeiras com as amigas.
O tempo passou e a juventude floresceu em Riachão do Jacuípe. Como esquecer a magia das festas embaladas pela banda Os Loucos e depois Grupo Musical Espuma? Os salões da Euterpe Jacuipense e da Lira 8 de Setembro testemunharam nossos passos de dança, nossos risos e a alegria pura daquela época. No Centro Educacional Nossa Senhora da Conceição, a vida era um turbilhão de movimento: o orgulho dos desfiles de 7 de setembro e o pulsar das atividades do Grêmio Estudantil. Ali, ao lado da querida amiga Gorette, sem se quer sonhar que me tornaria jornalista, rascunhei minhas primeiras linhas profissionais ao darmos vida ao nosso jornalzinho Olho Vivo.
Ainda
adolescente, a vida me chamou para novos horizontes em Feira de Santana.
Comecei a estudar na UEFS e, apenas dois anos depois, iniciei minha carreira de
jornalista no Jornal Feira Hoje. Foi nas páginas desse jornal que o destino
reservou o capítulo mais transformador da minha vida: o encontro com Cristóvam
Aguiar. Mais do que colegas de profissão, nos tornamos companheiros de jornada
e cúmplices de uma vida inteira. Juntos, escrevemos a nossa história mais
bonita e construímos uma família linda, abençoada com três filhos: Lia, Deni e
Leno. Hoje, ver cada um deles com suas próprias famílias formadas é a certeza
de que o amor que plantamos frutificou e se multiplicou.
Agora,
aos 68 anos, o ciclo se fecha de forma poética. Há 5 anos retornei para Riachão
do Jacuípe, minha cidade natal, ao lado do meu grande companheiro, para
vivenciar esta etapa da vida. Na velhice que acolho com gratidão e serenidade,
voltar para as raízes, para o seio da família, morar na mesma casa onde vivi na
infância/adolescência, é reencontrar a menina das bonecas de pano e a jovem
sonhadora.
Acima de tudo, elevo meu coração em uma profunda prece de gratidão ao Criador. Reconheço a mão divina em cada detalhe dessa caminhada, sustentando-me nos momentos de desafio e abençoando-me com tantas alegrias. Sou profundamente grata a Deus por tudo o que vivi, pela família que formei ao lado de Cristóvam e pela graça de, hoje, poder olhar para o passado com o coração cheio de paz, sabendo que minha vida é um testemunho vivo do Seu amor e da Sua fidelidade.
Que assim seja!

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