segunda-feira, 8 de julho de 2013

ONGs internacionais ampliam arrecadação no Brasil e miram classe C

Agente da Anistia Internacional em praia do Rio. Crédito: Rosilene Miliotti/Anistia
Abordagem cara a cara de agentes de ONGs está se tornando mais comum no Brasil

Impulsionadas pelo aumento da renda média da população brasileira e pela crise econômica nos Estados Unidos e na Europa, algumas das ONGs de maior projeção internacional ampliaram significativamente nos últimos cinco anos suas receitas e captações de recursos no Brasil.
Segundo um levantamento feito pela BBC Brasil, seis importantes ONGs internacionais instaladas no país – WWF, ActionAid, Fundação Abrinq - Save the Children, Conservação Internacional, Médicos sem Fronteiras e Greenpeace –, além do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), aumentaram a receita total e a captação de doações em dinheiro de pessoas físicas desde 2008.
O aumento médio real (descontada a inflação) das receitas das sete organizações ficou em 28,8% no período até 2012. Em termos de captação de dinheiro de pessoas físicas, a média de aumento foi de 424,64% entre 2008 e 2012, uma cifra influenciada especialmente por grandes aumentos reais da Conservação Internacional (1.223,69% nos últimos cinco anos) e da ActionAid (1.419,16%).
As duas ONGs decidiram começar os esforços de captação de recursos de pessoas físicas no Brasil apenas em 2007. Também procurada pela BBC Brasil, a Anistia Internacional, que há cerca de dez anos não possuía um escritório no país, voltou a tê-lo no ano passado.
O aumento da atuação das ONGs no Brasil também fica claro devido às campanhas realizadas por elas para arrecadar doações em dinheiro nas grandes cidades brasileiras.
A diversificação das plataformas usadas nessas campanhas – como o uso de agentes pedindo doações nas ruas e a veiculação de propagandas na TV – reflete os esforços cada vez maiores de algumas das ONGs em buscar doações das camadas mais pobres da população, como a Classe C, de olho no aumento de seu poder aquisitivo.
Uma pesquisa divulgada em 2011 pela consultoria RGarber revelou que, por ano, o brasileiro doa US$ 5,2 bilhões para organizações da Sociedade Civil. Além disso, 17 milhões de pessoas, ou aproximadamente 9% da população, colaboram com ONGs.
Patrícia Mendonça, coordenadora de um estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre o assunto, explica que o brasileiro sempre teve a tradição de doar, mas geralmente de forma informal – ajudando pessoas necessitadas na rua, por exemplo – ou colaborando com a igreja.
"Só recentemente, especialmente com o aumento da renda, e especialmente nas grandes cidades, tem surgido espaço para a canalização de doações mais institucionais", destaca.
"Neste sentido, grandes ONGs com 'marcas' reconhecidas têm larga vantagem, não só por serem reconhecidas, mas por terem estrutura para fazer investimentos iniciais para a criação de um portfólio de captadores", diz.

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