quarta-feira, 8 de maio de 2024

Caixinha obrigado!

          

Essa música foi gravada em 1960 por Juca Chaves que é também seu autor.  Com seu estilo jocoso e irreverente, Juca traça um quadro político e social da época, sempre com muito humor. Primeiro ele faz uma análise da sociedade e diz que a mediocridade é um fato consumado. Vejamos a primeira estrofe da música: “A mediocridade é um fato consumado/ na sociedade onde o ar é depravado/ marido rico, burguesão despreocupado/ que foi casado com mulher burra mas bela/ o filho dela é político ou tarado. / Caixinha, obrigado!”

Juca Chaves parece se referir ao próprio cérebro como sendo a “caixinha”, isso porque a sua capacidade intelectual permitiu que ele fizesse uma análise mais clara da conjuntura política e social da época. E continua: “A situação do Brasil vai muito mal / Qualquer ladrão é patente nacional;/ Um policial, quase sempre, é uma ilusão/ E a condução é artigo racionado. / Porém, ladrão... isso tem pra todo o Lado!/ Caixinha, obrigado!”

Pensando bem, a situação descrita por Juca não difere da nossa atual conjuntura. Vejamos então a terceira estrofe: “O rock'n'roll, nesta terra é uma doença, / e o futebol, é o ganha pão da imprensa/ vença ou não vença, o Brasil é o maioral; e até da bola, nós já temos general/ que hoje é nome de estádio municipal/ Caixinha, nacional!” Nessa estrofe ele alude ao esporte nacional, o futebol, e sita o estádio do Botafogo que foi chamado general Severiano. Realmente o futebol se transformou numa paixão nacional e foi levado ao extremo, porque, vencendo ou não vencendo, o povo sempre achava que o Brasil era o maioral. O tempo se encarregou de mostrar que não é bem assim.

“A medicina está desacreditada/ penicilina, já é coisa superada/ tem curandeiro nesta terra pra chuchu/ Rio de Janeiro tá pior que Tambaú/ e de outro lado, onde está o delegado/ Caixinha, obrigado!”. Na verdade, as farmácias estão repletas de porções as mais diversas com rótulo e licença da ANVISA, cujo a propaganda nos meios de comunicação promove curas milagrosas. Apropriadamente Juca questiona: Onde está o delegado (de polícia).

“Dramalhão, reunião de deputado/ é palavrão que só sai pra todo lado/ Se um deputado abre a boca, é um atentado/ E a mãe de alguém é quem sofre toda vez/ No fim do mês... cento e vinte de ordenado. / Caixinha, obrigado!”. Alguém duvida do baixo nível cultural dos atuais políticos brasileiros? O atual presidente se orgulha de ter estudado apenas o ensino fundamental.  É mole, ou querem mais?

Com graça e jeito Juca Chaves consegue mostrar um Brasil que todos sabem que existe, mas, poucos querem ver. E ainda há quem afirme que este é o país do futuro. Eu, em?  

         Divirtam-se ouvindo a bela composição do Menestrel Maldito (apelido dado a Juca Chaves) na bela interpretação de Rolando Bondrin.



 

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