
O problema é que Bolsonaro não faz isso como estratégia, apenas, pois,
como ele mesmo disse, ele é assim. Também, não se pode cobrar liturgia
de um cargo que vem ocupado, sistematicamente, por desqualificados
morais, e intelectuais, ou corrupto seriais.
Acontece, no entanto, que a vulgaridade é um instrumento perigoso ao
seu capital político porque mesmo à vulgaridade há limites. Ela impõe
desgastes ao simbolismo, ao poder natural do cargo, e se o fortalece
junto a determinado eleitor, o enfraquece a outro determinado conjunto.
Nós já provamos de presidentes fortes demais e frágeis demais. E nenhum
resulta em uma boa condução do Estado.
A presença de uma família convulsa- a quem ele quer servir filet
mignon-, que o obriga a ultrapassar limites, a vocação para a piada de
baixo clero, acabam por gerar instabilidades, que se tornam um fator de
risco ao projeto econômico, e precisa ser administrada, já que não se
pode esperar que ele mude.
O governo tem uma agenda ótima, avanços sensacionais em
Infra-Estrutura, uma reforma da Previdência necessária, em fase final de
aprovação, um necessário pacote anticrime a ser aprovado, uma lei de
liberdade econômica, e ações de desburocratização, que precisam ser
preservadas, apesar de limites a serem estabelecidos.
O entourage do presidente precisa entender que o sucesso da agenda não
pode ser boicotado por excessos presidenciais, nem pode ser permitido
que ele transforme a Presidência em um feudo para ações pessoais.
O Brasil acima de todos, inclusive do Presidente.
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