sábado, 26 de março de 2022

 


*Meu Marketing*

 Há mais de vinte anos, quando a propaganda de produtos do fumo era permitida, volta e meia indagavam-me o porquê das fábricas de charutos, ao contrário dos cigarros, não investirem no ‘marketing de massa’: televisão e revistas de grande circulação nacional.

 Respondia-lhes, sendo os charutos produtos de dados segmentos sociais, a conquista não deveria ser via artefatos nucleares e sim a base de baionetas caladas: homem a homem.

 Homem a homem significava, usando-se termos da moderna tecnologia, um raio-laser, característica não do ‘marketing de massa’, mas do ‘marketing direto’.

 “Lendo aprende-se: só se aprende lendo” – assim, conheci algo que praticava de forma intuitiva: o ‘marketing de relacionamento’. Aprendi o valor, quase nunca percebido da importância dos clientes, dos amigos e dos formadores de opinião.

 O ‘marketing de relacionamento’ é uma supercola. Quando a gente consegue grudar-se aos clientes proporcionando-lhes o binômio confiança-segurança, alcançamos nosso objetivo: o benefício mútuo.

 O posicionamento central do ‘marketing de relacionamento’, ideal para produtos como charutos, em minha opinião, é conhecer os clientes e cuidar bem deles. Cada consumidor é um caso específico. Conhecer suas preferências, bem como garantir reciprocidade de vantagens são elementos essenciais. Integram o pacote de benefícios, entre outros, a qualidade do produto, a presteza no atendimento, o preço justo, a comunicação permanente e oportuna.

 Quantos de nós, esteve em alguma loja, e saiu de lá com a convicção de não mais voltar? Atendentes destreinados, produtos falsos ou mal estocados, informações incorretas, inflexibilidade comercial, integram o elenco de desencantos com qualquer fornecedor.

 Por maiores sejam as posses dos clientes, por certo – regra comportamental humana - seus desejos as superam: desejos são quase ilimitados. Cabe-me mostrar-lhes que os charutos baianos – entre outros, Dona Flor e Alonso Menendez – representam maior valor e satisfação pelo dinheiro investido.

 Por isso, o mandatário no negócio de charutos é quem os consome.

 Reclame! Sugira! Proteste! Telefone!

Mande um e-mail ou um “zap”.

Mas, por favor, diga alguma coisa pois, quem cala nem sempre consente.

Por hoje é só!

  Hugo A. de Bittencourt Carvalho, economista, cronista, ex-diretor das fábricas de charutos Menendez & Amerino, Suerdieck e Pimentel, vive em São Gonçalo dos Campos – BA.

 ([email protected])

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